Biografia

Situada na costa leste da Ilha do Faial, Açores, num extenso vale, entre duas grandes elevações e a cerca de 7 km do concelho da Horta, Pedro Miguel é uma freguesia rural, repleta de pastagens, que tem na agricultura e na pecuária a sua principal actividade. A ribeira que a atravessa possui espaços de especial beleza. Estendendo-se da Caldeira, no centro da ilha, até ao mar, Pedro Miguel possui junto da linha de costa uma pequena praia e um pequeno Porto, lugares especialmente aprazíveis na época de Verão, que são janelas privilegiadas para a imponente montanha do Pico.

E é aqui, que a 23 de Junho de 1977, a Junta de Freguesia e a Casa do Povo fundam o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Pedro Miguel.

Este surge da vontade de preservar as “Folgas e Chamarritas” dos tempos de outrora, mas que ainda hoje se realizam na freguesia. Sendo uma das principais formas de convívio de outros tempos, estes “bailhos” são importantes elementos da cultura popular.

Para dar som a esta ideia, foram utilizados instrumentos fabricados por um artesão da freguesia de Pedro Miguel, Mestre Teixeira, infelizmente já falecido. Desapareceu o homem, mas ficou a obra, uma vez que o Grupo ainda hoje utiliza esses preciosos instrumentos. A estes juntam-se instrumentos fabricados por um dos seus elementos, que dá assim continuidade a esta arte na freguesia

Com o intuito de compreender como eram os “bailhos velhos”, os criadores do Grupo Folclórico contaram com a valiosa colaboração de pessoas de avançada idade, que deram o seu testemunho de como eram estes “bailhos”, uma vez que chegaram a participar em alguns.

O livro Bailhos, Rodas e Cantorias, do Prof. Júlio Andrade, foi outra fonte de pesquisa, uma vez que fazia algumas alusões à freguesia de Pedro Miguel.

Sentindo uma vontade de se aperfeiçoar e afirmar, em Março de 1994 lança-se ao desafio de reflectir da melhor forma nos seus trajes as vivências e costumes dos faialenses, em especial dos pêro-micaelenses, nos finais do século XIX e inícios do século XX. Surgem assim trajes representativos das várias actividades de então, acompanhados dos respectivos utensílios. Aparece a mulher de capote, o pescador, com a cana e a cesta repleta de peixe, o lavrador, a lavadeira com a celha onde levava a roupa, entre outros. Estas características conferem-lhe o ansiado carácter etnográfico. Nesta altura, deixa também de estar vinculado à Casa do Povo para se poder afirmar com uma identidade própria. Passa a designar-se “Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel”.

Mais tarde, a sua vontade de preservar os usos e costumes dos seus antepassados levou a que iniciasse um esforço no sentido de recolher artefactos dessa época, para que não se perdessem com o tempo. São verdadeiras peças de museu, cuja recolha ganhou especial fôlego após o sismo de 1998, já que ao Grupo vieram parar várias peças resgatadas dos destroços das habitações. De entre o seu vasto espólio, destaca-se uma atafona (engenho de moer movido por um animal), que, actualmente, é a única existente na freguesia. O Grupo possui ainda uma ferraria completa e que representa o legado de uma actividade praticada em Pedro Miguel, hoje extinta.

À medida que a dimensão deste espólio aumenta, surge a necessidade cada vez mais premente de criar um espaço condigno para o albergar e dar a conhecer aos faialenses e àqueles que visitam a Ilha Azul. Em 2002, inicia o processo para a aquisição de um imóvel, na freguesia de Pedro Miguel, com as características necessárias para ser adaptado a Casa Etnográfica. Actualmente, é um sonho que caminha a passos largos para a realidade.

A 20 de Dezembro de 2007, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel foi considerado Instituição de Utilidade Pública.

Por diversas vezes ao longo da sua existência, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel levou os bailhos e as tradições desta ilha a outras paragens.

Nos Açores, já percorreu todas as ilhas, à excepção de Santa Maria. Destaca-se a sua participação no Festival Internacional de Folclore dos Açores (COFIT), na ilha Terceira. É ainda presença assídua no Festival de Folclore das Bandeiras, na vizinha ilha do Pico, bem como no Festival de Folclore da Semana do Mar, no Faial.

Em 1991 deslocou-se pela primeira vez ao continente português, para representar a Região num Congresso do SETAA, realizado em Santarém, Loures e Almeirim.

Três anos mais tarde, iniciou um Intercâmbio Cultural com o Grupo Folclórico e Etnográfico de Fermentelos, Concelho de Oliveira do Bairro, tendo participado em vários Festivais de Folclore. Em 1997, realizou outro Intercâmbio desta vez com o Rancho Folclórico Andorinhas do Pinhal, Seixal, participando nos Festivais Internacionais de Folclore de Arrentela e Fernão Ferro.

Em 1999, o Grupo recebeu em intercâmbio o Grupo Folclórico do Rochão, da Região Autónoma da Madeira, deslocando-se àquela ilha em 2000, tendo participado no Festival Internacional de Folclore de Ponta do Sol e no Festival Regional de Machico.

Em 2002 viajou até Braga, para um Intercâmbio Cultural com o Rancho Folclórico de Palmeira, que foi concluído no ano seguinte.

Em 2004, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel voltou a realizar um Intercâmbio Cultural com o Grupo Folclórico e Etnográfico de Fermentelos, com quem nunca tinha perdido a ligação.

Em 2010, volta também à Madeira, desta feita em Intercâmbio com a Associação de Folclore da Boa Esperança.

O Grupo actua frequentemente nos hotéis e restaurantes do Faial, mostrando aos que nos visitam as músicas, bailhos, trajes e costumes dos nossos antepassados.

Já participou por diversas vezes no programa “Atlântida”, da RTP Açores e da RTP Madeira, emitido pela RTP Internacional.

São várias as actividades que Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel tem vindo a desenvolver ao longo destes anos, algumas delas em colaboração com outras entidades, no sentido de dar a conhecer não só os seus usos e costumes, como também promover a freguesia de Pedro Miguel e a ilha do Faial.

Ocasionalmente, por alturas do Entrudo, apresenta uma Dança de Carnaval, trazendo para os nossos dias uma tradição antiga, que tinha especial ênfase na freguesia de Pedro Miguel. Também é frequente organizar um Rancho de Natal, com que se apresenta na ilha na quadra natalícia.

Na Semana do Mar, festa maior da ilha do Faial, o Grupo já participou por diversas vezes no Desfile Etnográfico anual. Dos vários quadros, destacaram-se a recriação da actividade dos vendilhões e da pesca, entre outros. Também já colaborou na Marcha da Semana do Mar.

Colabora também com a Festa do Mundo Rural, evento onde já recriou uma cozinha tradicional e uma atafona, entre outras.